Conto de ficção · Vampiros
O hóspede chegou quando o gerador do hotel já falhava. Não trouxe malas. Pediu o quarto nove, cortinas grossas e que ninguém entrasse antes do anoitecer.
Na manhã seguinte, Eva encontrou o corredor gelado. Sob a porta, havia uma linha de terra escura. Do lado de dentro, alguém contava baixinho: um, dois, três. Ela bateu. A contagem parou.
À noite, o homem apareceu na recepção usando o uniforme do antigo gerente. Eva reconheceu a fotografia atrás do balcão: o mesmo rosto, a mesma gravata. A legenda dizia 1931.
‘O hotel é da sua família?’, perguntou ela.
Ele sorriu sem abrir a boca. ‘Há muito tempo.’
Eva procurou o reflexo dele no vidro da recepção. Viu apenas a estrada e, atrás de si, uma fila de pessoas imóveis. Todas vestiam roupas de épocas diferentes. Todas tinham duas marcas escuras no pescoço.
O homem pousou a chave nove sobre o balcão.
‘Seu turno termina agora.’
No amanhecer seguinte, a nova recepcionista encontrou o corredor gelado. Debaixo da porta do quarto nove, Eva contava baixinho: um, dois, três.
