Conto de ficção · Fantasmas
Toda madrugada, às três em ponto, um ônibus vazio parava diante do cemitério. Numa noite de chuva, Joana entrou para escapar do temporal.
O motorista não tinha rosto, apenas um espelho no lugar da cabeça. ‘Para onde?’, perguntou. Ela disse o endereço de casa.
O ônibus seguiu por ruas que Joana nunca vira, até parar diante de um portão coberto de hera. Do outro lado, sua avó acenava, embora tivesse morrido quando Joana era criança. Ela desceu. O ônibus partiu sem ruído.
No dia seguinte, encontraram o veículo abandonado. No vidro embaçado, uma única frase: ‘Ainda não era sua hora.’
