Três Medos à Meia-Noite: Contos Brasileiros de Terror

Três Medos à Meia-Noite: Contos Brasileiros de Terror

O medo muda de rosto conforme a noite avança. Às vezes, espera na estrada; às vezes, conhece nosso nome. Estas três histórias são ficção original, inspirada em atmosferas sombrias e lendas que atravessam o Brasil.

A Última Curva

Quando o ônibus quebrou na estrada, Joana viu uma mulher parada junto à placa enferrujada. Vestia branco e segurava uma lanterna apagada. O motorista jurou que não havia ninguém ali. Mesmo assim, Joana ouviu três batidas na janela.

Na curva seguinte, a mulher surgiu outra vez, agora do lado de dentro do ônibus. Sentou-se ao seu lado e sussurrou: “Você passou por aqui ontem.” Joana riu, nervosa. Então encontrou no bolso um bilhete molhado, escrito com sua própria letra: não pegue este ônibus.

O Assobio no Canavial

Seu Nilo conhecia cada trilha entre os canaviais, mas nunca trabalhava depois do pôr do sol. Dizia que um assobio distante era aviso suficiente para voltar.

Certa noite, o neto desapareceu perto da plantação. Nilo entrou no canavial chamando por ele. Logo ouviu o assobio — vindo de todos os lados. Encontrou o menino sentado no chão, imóvel, olhando para a escuridão. Quando o avô o ergueu, a criança sorriu e assobiou a mesma melodia. Do outro lado das folhas, alguém respondeu.

A Casa que Respirava

Depois da chuva, Marina voltou à casa abandonada onde crescera para buscar uma caixa de fotografias. A porta abriu sem resistência. No corredor, as paredes se expandiam e encolhiam, como um peito adormecido.

Ela encontrou a caixa no antigo quarto e, dentro dela, uma foto que não lembrava ter visto: Marina criança, diante da casa, acompanhada por uma figura alta na janela. Um ruído profundo percorreu o assoalho. A porta bateu.

Marina correu, mas o corredor parecia crescer. Atrás dela, a casa inspirou devagar. Na janela da frente, a figura da fotografia já não estava mais lá.