Conto de ficção · Lobisomens
Quando a seca revelou o leito branco da represa, Lia encontrou pegadas enormes seguindo até a antiga estrada. Naquela noite, ouviu um uivo do lado de fora da casa. O pai, que jurava não acreditar em lobisomens, trancou as portas e apagou as luzes.
Lia espiou pela fresta da janela: uma forma curvada farejava o chão, usando o velho casaco do pai. Então, atrás dela, veio outro uivo — dentro de casa.
O pai segurou seu ombro e sussurrou: ‘Não abra.’ Mas a voz que respondeu do corredor era a de Lia: ‘Pai, já estou aqui.’
